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Brasil soma cerca de 10 milhões de mães solo e desigualdade ainda marca realidade feminina

15/05/2026
Fonte: TVT News, IBGE e DIEESE

O Brasil chega ao Dia das Mães de 2026 com um dado que revela a dimensão dos desafios enfrentados por milhões de mulheres: aproximadamente 10 milhões de mães brasileiras criam seus filhos sozinhas. Os números reforçam o peso da maternidade solo no país e evidenciam impactos diretos na renda, no mercado de trabalho e na qualidade de vida dessas famílias.  

Levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a maior parte das famílias monoparentais brasileiras é chefiada por mulheres. Em muitos casos, elas acumulam integralmente as responsabilidades financeiras, emocionais e domésticas relacionadas à criação dos filhos.   Especialistas destacam que as mães solo estão entre os grupos mais vulneráveis social e economicamente no país. Dados recentes mostram que mulheres com filhos enfrentam maiores dificuldades de inserção profissional, salários menores e jornadas duplas ou triplas de trabalho. A situação se agrava especialmente entre mulheres negras e periféricas.  

Além das desigualdades salariais, outro desafio recorrente é a dificuldade de acesso a creches e redes de apoio. Muitas mães acabam reduzindo a carga horária de trabalho, abandonando empregos formais ou recorrendo à informalidade para conseguir conciliar a maternidade com a sobrevivência financeira da família.  

Segundo estudos do DIEESE e de entidades ligadas aos direitos das mulheres, a sobrecarga emocional também tem impacto significativo sobre a saúde mental das mães solo. O aumento da ansiedade, do esgotamento físico e de quadros de depressão tem sido apontado como reflexo direto da ausência de políticas públicas estruturadas de apoio à maternidade.  

Nos últimos anos, movimentos sociais e organizações femininas passaram a defender medidas como ampliação da oferta de creches públicas, fortalecimento da rede de assistência social, combate à inadimplência de pensão alimentícia e criação de políticas específicas de proteção às famílias chefiadas por mulheres.  

Outro ponto levantado por especialistas é a desigualdade no mercado de trabalho. Apesar de avanços na participação feminina na economia, mães ainda enfrentam preconceitos relacionados à maternidade, dificuldades de progressão profissional e maior taxa de desemprego em comparação aos homens.  

Para entidades sindicais e organizações sociais, o debate sobre valorização da maternidade precisa envolver não apenas homenagens simbólicas no Dia das Mães, mas também políticas permanentes de proteção social, geração de renda e combate às desigualdades estruturais. O tema ganha ainda mais relevância diante do crescimento da informalidade e do alto custo de vida, fatores que impactam diretamente mulheres responsáveis sozinhas pelo sustento familiar.

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